Nacionalismo e religião

Como a maioria dos governos dos Balcãs usa a religião como propaganda nacionalista, nacionalidade e religião tornaram-se praticamente indissociáveis na região.

Esloveno e croatas devem ser católicos. Sérvios, macedônios, montenegrinos, devem ser cristãos ortodoxos (desde que pertençam à maioria eslava de seus países).

Claro que há exceções. Na época da dominação otomana, ser muçulmano trazia muitos benefícios. Assim, alguns sérvios se converteram ao islamismo, e são conhecidos como Sanptzaks. Os macedônios convertidos são os Torbesh, e assim por diante. Mas são poucos. Os outros muçulmanos sérvios, montenegrinos e macedônios são de etnia ilíria (albanesa), e não eslava. Eles são também minoria e estão espalhados principalmente nas proximidades das fronteiras com a Albânia. Mesmo tendo a nacionalidade de seus respectivos países, são sempre chamados de albaneses e entre eles se comunicam em língua albanesa.

Os bósnios se dividem em católicos, ortodoxos e muçulmanos, ou seja, croatas, sérvios e bosniaks. O termo bosniak foi criado justamente para designar os bósnios muçulmanos, convertidos na época do império Otomano ou descendentes dos turcos. Os outros são chamados de bósnios-croatas e bósnios-sérvios.

Assim, por toda a região, é comum vermos torres de igrejas, minaretes de mesquitas, crucifixos no alto de montanhas sendo usados como bandeiras marcando territórios. Os croatas de Mostar, na Herzegovina (região que fica no sul da Bósnia e Herzegovina), chegaram ao ponto de construir uma desproporcional torre de 100 metros de altura no lado católico-croata da cidade, para se afirmarem (e segundo os bosniaks, provocarem) diantes das dezenas de minaretes espalhados do outro lado da ponte.

A Albânia é diferente. A identidade nacional se constrói muito mais pela língua do que pela religião. Eles eram cristãos antes da invasão turca, se converteram ao islã durante a dominação (remanescendo muitos católicos no norte, e ortodoxos no sul) e com a ditadura comunista, que fechou o país por quatro décadas, qualquer prática religiosa foi proibida por lei. Muitos se tornaram de fato ateus, outros continuaram a exercer sua fé clandestinamente. Com o fim do regime, alguns seguiram sem religião, mas muitos adotaram alguma, de modo moderado. A maioria das famílias escolheu o Islamismo, mas poucos praticam (incluindo aqui o Kosovo e as regiões dos outros vizinhos localizadas próximo às fronteiras com a Albânia). É muito raro ver mulheres usando véu, pessoas jejuando no Ramadã, se abstendo de álcool ou frequentando mesquitas.
Mas a visão nacional-religiosa dos seus vizinhos insiste em querer associá-los ao Islamismo.

E a religião é um ótimo pretexto para exarcebar diferenças e justificar interesses.

 

Mesquita em Sarajevo, Bósnia e Herzegovina.
Torre católica de 100ms no lado croata de Mostar, Bósnia e Herzegovina.
Mosteiro ortodoxo St Naum, lago Ohrid, Macedônia.

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