Musika


A música dos Bálcãs virou moda na Europa e em outras partes do mundo nos últimos anos, depois que Goran Bregovic(h) fez as trilhas sonoras de alguns dos filmes do diretor sérvio-bósnio Kusturica. Bregovic na verdade faz uma coletânea de diversos ritmos dos Bálcãs, especialmente de música cigana (Rom).

Os ciganos influenciaram muito todo os Bálcãs, com sua cultura musical forte, espalhando estilo de um lugar para o outro. As festivas músicas trubaci (de instrumentos de sopro) tocadas em casamentos, com seus ritmos quebrados (ao invés da previsível batida 4×4 do ocidente).

Todos os anos, em agosto, acontece um festival  bem famoso de música do gênero na pequena cidade de Guce, na Sérvia. Um verdadeiro Woodstock balcânico.

Bregovic também gosta de resignificar estilos. Gravou recentemente com Florin Salam, um representante do Manele*, considerado muito brega na Romênia (algo como o Caetano gravando “Tapinha não dói”…).

*O Manele é uma mistura de musica folclórica romena, com influência rom, turca, grega, e às vezes, árabe, em cima de uma batida eletrônica, com letras consideradas pobres pelas pessoas que conhecemos. Têm sua versão em cada país. Na ex-Iu, principalmente na Bósnia, Sérvia, Montenegro, Macedônia é chamado de ‘Turbo-Folk’. Na Bulgária, ‘Chalga’. Também está presente na Albânia e na Grécia. Estes estilos e a moda que os acompanha teriam como paralelo no Brasil o ‘Funk Carioca’, ou o ‘Tecno- Brega’.

Gjyste Vulaj, em outdoor na praia de maioria albanes de Ulcjni, Montenegro.

Gjyste Vulaj é uma representante do Turbo Folk albanês. Ela é de origem albanesa, nascida em Montenegro. Aqui um link com uma palhinha (pegaria fácil no Brasil, se chegasse).

Na Sérvia, sempre que possível, as pessoas se levantam nos bares para dançar. Já na Bósnia, fomos reprimidos quando dançávamos uma música de ritmo um tanto alegre, mas cuja letra falava de tragédias. Síntese da alma bósnia, talvez.

Dentre os ciganos romenos, uma banda de peso é a Taraf de Haidouks, mais de raiz. Estouraram no ocidente depois que o ator Johnny Depp os apadrinhou. Eles usam basicamente instrumentos de cordas.

Os romenos têm também a Doina, que significa algo como “saudade” (segundo eles, uma palavra que não se traduz, só existiria em romeno, como os brasileiros gostam de dizer).

Vale também mencionar a forte presença da música brasileira por toda parte. De seu Jorge a Maria Gadu, hit de verão em Montenegro e Macedônia. Em Skopje, mencionei que era brasileiro, e um macedônio, ao invés de dizer o nome de algum jogador de futebol, gritou: “Brasil! Ratos de Porão!!!!”

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Um comentário sobre “Musika

  1. Essas coisas às vezes me matam de vergonha. Eu não saberia cantar nenhuma música dos Ratos do Porão.
    Uma vez, em Paris, um cantor de restaurante, ao nos identificar como brasileiros, engatou “O que será que será” do Chico. Levou sozinho, ninguém conseguiu acompanhar.
    Ignorância musical é fogo.

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