A chegada em Mostar

Foi difícil sair de Sarajevo, de uma rotina criada tão rapidamente. Fomos para Mostar depois de 15 dias.

Chegamos e fazia muito calor, a cidade parecia feia. Caminhamos com as mochilas, um certo mau-humor, mas achamos rápido um quarto bom na casa de uma família bosniak, com flores e parreiras no quintal.

Já no primeiro passeio a ida fez sentido. O centro histórico, bem pequeno, é cinza, com ruas, casas, telhados e pontes de pedra. É um labirintozinho turco que se quebra para um e outro lado, com ruas estreitas lotadas de turistas e souveniers. E, cruzando e colorindo o centro, riachos cercados de árvores correm para o rio Neretva, grande, azul, transparente, gelado. O rio é lindo, algumas pessoas nadam nele, mas como todo esgoto da cidade é jogado ali, ele é poluído. O Neretva divide a cidade em duas.

A ponte que liga as margens foi feita no século XVI. Os turcos tinham o hábito de construir, nas cidades dominadas, algo monumental para marcar a ocupação otomana. Normalmente faziam grandes mesquitas, mas como Mostar era um ponto de passagem, construíram a Stari Most, ou ponte antiga. A cidade virou um importante entreposto do Império. E foi daí que surgiu o nome de lá: os guardiões da ponte, que cobravam as taxas para a passagem de mercadorias, eram os mostaris. Com mais de 20 metros de altura, forma de arco e pedras escorregadias, a ponte fez a cidade famosa já na época de sua inauguração.

Ao longo do século XX, Mostar foi naturalmente se dividindo em duas partes, com um lado de maioria bosniak, muçulmana, e outra de maioria croata, católica. A Stari Most passou a ligar as duas metades da cidade.

No início da guerra da Bósnia, em 1992, bosniaks e croatas se uniram para combater os sérvios que bombardeavam a cidade, mas depois de um breve período passaram a guerrear um contra o outro, disputando parte do território bósnio onde viviam muitos croatas. Para marcar a divisão da cidade, os croatas destruíram a Stari Most em novembro de 1993. A reconstrução da ponte terminou em 2004, nove anos depois do fim da guerra.

Hoje em dia, todo final de julho há, na ponte, uma competição de saltos ornamentais e, no resto do verão, alguns moradores saltam dela depois de passarem o chapéu entre os turistas, que assistem ao pulo como a um espetáculo. Dizem que todos os jovens da cidade, para virarem homens, devem saltar da ponte.

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