Independência política, econômica, linguística e até alfabética.

Alfabetos latino e cirílico montenegrinos.

Em 1992, quando a Iugoslávia pós Tito se desmantelava,  Montenegro, seguindo os passos da Eslovênia, Croácia e Bósnia e Herzegovina, realizou um plebiscito interno para saber se a população também era a favor da independência. Naquela ocasião, apenas 66% dos montenegrinos votaram. Desses, 96%  se declararam contra a separação.

A partir de 1996, no entanto, o  governo de Milo Dukanovich foi adotando medidas que isolavam Montenegro da Sérvia, como a independência econômica, através da adoção do marco alemão, por exemplo. Assim como o fato do alfabeto cirílico, uma marca de identidade, desde o século IX, dos países de maioria cristã ortodoxa, ter perdido gradualmente espaço para o latino. Em 2004, chegaram a alterar o nome da língua nos livros didáticos, de língua sérvia, para língua-mãe, o que gerou muita polêmica e protestos.

Até que no dia 21 de maio de 2006, um novo plebiscito foi realizado. Neste, 86% da população participou, em uma disputa difícil. 45,5 % contra a separação, 55,5% a favor. Apenas 0,5% acima do necessário para que Montenegro passasse a ser uma república autônoma. Tentei pesquisar porque a Sérvia não tentou evitar belicamente que tanto Montenegro quanto a Macedônia se separassem. Não encontrei respostas. Talvez por barganhas secretas, acordos econômicos, pressões estrangeiras, cansaço de outras guerras… Perguntando para as pessoas de lá, me disseram que pela proximidade cultural-religiosa  entre eles, que seriam aliados históricos, sem cicatrizes passadas. Talvez um pouco de cada coisa.

Em 2007 se declaram independentes linguisticamente da Sérvia. A língua dos dois países era basicamente a mesma, com pequenos regionalismos que as diferenciavam. Mas acabaram votando no parlamento a favor da criação do Montenegrino. Os defensores dessa mudança, assim como as principais instituições do governo, adotaram de vez o alfabeto latino, apesar de pela constituição, ele gozar do mesmo status que o cirílico.

E de fato, em nossa curta estadia em Montenegro, não vimos nem sinal do cirílico, a não ser nas igrejas.  Hoje, na região dos Bálcãs, ele é usado na Macedônia, Bulgária, Sérvia, e na região da Bósnia chamada de República Sérvia. Fora dos Bálcãs, em vários países da ex-URSS, incluindo a Rússia.

Mas volto a falar do cirílico e de sua origem em breve.

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