Reputação x realidade albanesa

Em todos os países por onde passamos desde que saímos da Itália, fomos desaconselhados a ir para a Albânia. No imaginário geral balcânico, seria um país extremamente perigoso. Esta opinião quase todos emitiam sem nunca terem estado lá, baseando-se no tipo de imigrantes albaneses deslumbrados que receberam depois que o super-hermético regime comunista caiu, em 1990; e no que os jornais com freqüência noticiam sobre os diversos setores do crime organizado albanês. Dizem que é a porta de entrada para a Europa da heroína vinda do Afeganistão; que é o maior produtor de maconha da região; que praticariam o de tráfico de humanos e de órgãos; e que assaltos e estupros seriam algo bastante comum.

Mas visto de perto, em nossa curta estadia no país, encontramos uma amabilidade que nos surpreendeu.

Todas as vezes que pedimos alguma informação, os albaneses faziam questão não só de nos informar, como de se certificarem que alcançaríamos nosso objetivo. Chegou ao extremo do garçom do primeiro restaurante em que almoçamos, ao pedirmos uma informação, se oferecer de nos esperar na porta do nosso hotel às 5:30 da manhã, com seu pai, para nos levar ao local onde pegaríamos a mini-van para o nosso próximo destino (já que não existem estações rodoviárias centrais, apenas pontos de partida espalhados pelas cidades). Fizeram ainda questão de pagar o nosso café da manhã, e só sossegaram quando nossa van partiu.

Esse é só um exemplo da hospitalidade albanesa, presente até na cartilha de comportamento do extinto regime comunista, que continha inclusive regras de higiene, segundo nos contou a Sarah, uma americana que veio a nos hospedar mais tarde, na capital Tirana. Mesmo lá, que por ser uma metrópole, imaginamos que podia ser mais tenso, nos sentimos extremamente seguros. Ela nos levou, por exemplo, em uma balada underground de música eletrônica em uma escura estação de trem abandonada na periferia da cidade, de onde saímos tranquilamente caminhando às 4 da manhã. Sarah, que mora já há 2 anos na cidade, disse que jamais se sentiu insegura no país, o que se confirma pela ausência de grades e cercas elétricas nas casas e apartamentos. Aliás, que não vimos em todo os Bálcãs, independente de quão alta fosse a taxa de desemprego, algo que ainda estamos longe de alcançar no Brasil, que tem a fama generalizada na região de ser um paraíso na terra, e uma potência dos Brics.

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