Endereços sonetos

Foi a Sarah, uma amiga americana que nos hospedou, que contou que faz apenas um ano e meio que as ruas de Tirana têm nomes. E eles ainda são pouco usados, claro, já que ninguém reconhece os lugares a partir dessa nova forma de chamá-los. Mesmo em cartas, o que ainda se faz é descrever os endereços a partir de um ponto de referência conhecido – pode ser uma avenida, uma loja, um colégio – e então segue-se o caminho: descer o boulevard da estação até o rio, pegar a direita, virar na esquina da oliveira grande, casa azul número 47. Quando se tem sorte de morar perto de alguma coisa famosa fica fácil: ao lado do cassino. Deve ser por essa precariedade que é muito comum as correspondências se perderem por lá.

E foi assim que descobri que endereços são novos em muitos lugares. Depois de 3 meses, ficamos na casa de um casal de amigos em Istambul e eles moravam em uma rua sem nome, apesar disso não ser comum naquela cidade tão cosmopolita. E foram eles que me contaram que endereços como conhecemos são relativamente recentes na Turquia e era comum em pequenas vilas acharem impossível dar às ruas um nome, já que não havia moradores suficiente famosos em cada uma delas para merecer nomear o lugar. Eles acreditavam que se uma rua se chamasse por exemplo Atatürk, o grande herói nacional turco, significava que ele tinha uma casa por ali. Mas isso pode também ser só uma lenda turca.

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