Contra o inimigo imaginário

Quando ficamos sabendo melhor o que eram os bunkers albaneses percebemos que o que achamos que eram carvoeiras enfileiradas, no caminho de Shkoder para Theth, eram os chamados cogumelos de concreto.

Feitos pelo comunista albanês Enver Hoxha, são cerca de 750.000 bunkers de concreto e metal, praticamente indestrutíveis. Eram pré-frebicados e tinham metade de sua estrutura enterrada, enquanto a outra metade aparecia do lado de fora como uma abóbada cinza. De tamanhos diferentes, estes cogumelos de concreto podiam abrigar de uma a dez pessoas, e havia espaço neles para o país inteiro, com seus 3 milhões de habitantes.

Os bunkers foram construídos entre 1972 e 1985, enquanto o ditador isolava cada vez mais a Albânia do resto do mundo – primeiro rompeu com todos os países capitalistas depois da II Guerra Mundial, depois com a vizinha Iugoslávia em 1948, com a morte de Stálin, em 1960, deixou de ter relações com a URSS e, finalmente, com a morte de Mao, rompeu com a China, em 1978. Hoxha se sentia paranoicamente ameaçado de todos os lados, mas a invasão nunca chegou a acontecer.

Com o fim da ditadura e a abertura do país na década de 90, os cogumelos de concreto perderam não apenas sua suposta função, como também seus donos. Destruí-los é muito difícil e caro – foram projetados para agüentar o ataque de um tanque de guerra e são muito pesados -, e haviam bunkers em todos os lugares: propriedades privadas, praias, montanhas, campos, cidades.

O mar, com as marés e a instabilidade da areia, carregou alguns deles, as pessoas transformam outros em restaurantes, adegas, chalés, hotéis, cocheiras, muitos foram pintados, alguns são usados como motéis, outros viraram casas de sem teto, mas a grande maioria está abandonado
, sendo engolida pelas plantas e o tempo.

Os bunkers são verdadeiros pontos turísticos, mas os albaneses preferiam que eles não existissem – além de serem a memória concreta de um tempo difícil, custaram cerca de € 2,2 bilhões, contribuindo bastante para a ruína da economia do país.

Foi surpreendente termos visto tão poucos. Depois dos que confundimos logo que chegamos na Albania, só vimos mais um, já na Macedônia, bem perto da fronteira entre os dois países.

(Aqui um trabalho incrível sobre os bunkers)

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