Alexandar or not Alexandar?

Para falar deste país localizado entre a Albânia, Grécia, Bulgária, Kosovo e Sérvia, é preciso primeiro decidir como chamá-lo.

Macedônia é o nome de um antigo reino que dominou a região que hoje faz parte da Sérvia, Bulgária, Grécia e, é claro, Macedônia.

Quando Alexandre, o Grande, filho de Felipe II, tornou-se rei, em 336 a.C., ampliou a extensão do seu território, conquistando quase toda a Grécia, grande parte dos Bálcãs, parte do Oriente Médio, Egito, Anatólia (atual Turquia) e Pérsia (atual Irã), de modo impressionantemente veloz. Apenas 13 anos depois ele morreu, aos 33 anos de idade, interrompendo a expansão macedônica, cujo império (conhecido como Helênico) perdeu espaço mais tarde para os romanos.

A Grécia não admite que o vizinho use o nome que eles consideram como parte inseparável da cultura grega. Argumentam que os eslavos, que chegaram na região mil anos depois de Alexandre, não teriam nada a ver com o assunto. Quando a Iugoslávia se despedaçou, em 91, os gregos determinaram que aceitariam, no máximo, que o novo país fosse admitido na ONU se usasse o nome, por eles criado, de FYROM (Former Yugoslavian Republic of Macedonia). E assim foi, inclusive por órgãos internacionais como a OTAN, o FMI e o COI (no entanto, hoje, mais de 100 países se referem ao país como Macedônia).

Mas por trás desta proteção ao nome, reside uma proteção territorial. Existe uma região no norte da Grécia batizada por eles de Macedônia (antiga Macedônia Egéia), que foi conquistada em 1913, no que ficou conhecido como Segunda Guerra Balcânica. Eles temem que, caso os vizinhos tenham o nome Macedônia como oficial, eventualmente se legitime uma reapropriação. Assim, com a disputa pelo nome, foi criada uma rivalidade em torno deste tema artificial, que separa culturalmente os dois lados, a ponto de ser raro o intercâmbio turístico entre os dois países.

Do lado macedônio também existe o interesse territorial, assim como o da construção de uma identidade. O país gira em torno da figura de Alexandre.

Este tema é o maior empecilho para a entrada da Macedônia na União Européia, cujos critérios de adesão não admitem desavenças diplomáticas entre vizinhos.

Aqui no blog, decidimos, em questões de complexidade política, seguir o consenso interno das regiões em questão. Daí, reconhecemos, por exemplo, o Kosovo nos mapas como um país, assim como a República da Macedônia como um nome.

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