Natal e Calendário Ortodoxo

Em 46 a.C., Júlio Cesar modificou o antigo calendário romano por perceber um lapso crescente entre os dias marcados e as estações do ano. Para resolver o problema, entre outras modificações, 2 novos meses foram acrescentados. Alguns anos depois, o Imperador Augusto fez outros pequenos ajustes.

Em 1582 percebeu-se que a cada 128 anos os equinócios, no calendário, ficavam um dia mais distantes do que o que correspondia à realidade. Por isso, o Papa Gregório XIII convocou uma equipe que, depois de vários cálculos astronômicos, chegou a uma solução: dali em diante, os anos seculares (1600, 1700, etc…), com exceção dos múltiplos de 400, não deveriam ser bissextos. Como a iniciativa partiu de um papa, somente os países de maioria católica a adotaram na época. Com isso, foi resolvido o desajuste dos equinócios, mas acumulou-se uma diferença de 13 dias em relação ao calendário juliano, que continuou sendo usado pelos países de maioria ortodoxa.

Hoje, em vários países cuja maioria segue outras religiões adotou-se o calendário gregoriano. Nos balcânicos de maioria ortodoxa também, com a exceção das datas religiosas. Assim, o Natal, por exemplo, é celebrado no dia 07 de janeiro. E o Ano Novo é comemorado duas vezes: na noite de 31 de dezembro e em uma festa menor em 13 de janeiro, que eles chamam de “Velho Ano Novo”.

Existiam variantes na maneira de celebrar o Natal na ex-Iugoslávia, dependendo da região e da religião. Durante o comunismo, Tito tentou abafar o caráter religioso da festa, importando a figura do Papai Noel com o nome de Dedo Mraz (Vovô Gelo )para distribuir doces e outras pequenas coisas fornecidas pelo governo, só que na noite de ano-novo. Com isso, buscava a simpatia do povo para si, propagava o caráter ateu do comunismo e minimizava as diferenças religiosas em uma Iugoslávia multi-cultural carente de interseções unificantes.

Mas com a queda do regime, em 91, o Natal voltou a ser tratado como uma festa puramente religiosa.

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2 comentários sobre “Natal e Calendário Ortodoxo

  1. Gijo, estou lendo aos poucos, pois é muita informação concentrada. O que acho legal é a dedicação de vocês para agregarem fontes históricas e geográficas. A riqueza étnica e religiosa da região se deve, é claro, pela sua posição estratégica em relação ao Oriente Médio, ao norte da África e à Europa Oriental, juntas aos fatos históricos contados por vocês. Estou gostando muito. Parabéns!

    1. Valeu, Gui. De fato, muita informação. O ex-presidente americano Churchill que dizia que os Bálcãs produzem mais história do que podem consumir.
      E de fato, a posição estratégia é fundamental para explicar tanta riqueza étno-religiosa. Mas as 3 grandes influências fundadoras ali foram dos Romanos, Austro-húngaros, Eslavos (russos) e Otomanos (turcos). Do norte da África e o Oriente Médio, nada.Nem hoje nem historicamente. A Turquia influenciou com o islamismo, mas não faz parte do Oriente médio, nem é árabe. Abração!!!!

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