Vizinhos

Conheci Vasko e Aleksandar na pista de skate do lago Orhid.

O sonho dos dois é de um dia irem trabalhar na Itália, ou em qualquer outro país da União Européia, o que mesmo na crise compensaria diante da fraquíssima situação econômica da Macedônia. Para isso, precisariam de um visto de trabalho, ou, como planejam, de conseguir um passaporte europeu, no caso búlgaro, que segundo eles pode ser adquirido pagando um valor de 500 euros. A Bulgária ingressou na UE junto com a Romênia, em 2007.

Perguntei porque era tão fácil obter o passaporte búlgaro, e o Aleksandar prontamente respondeu: “Porque eles nos odeiam. Os gregos dizem que nos odeiam, mas os búlgaros nos odeiam”. Continuei sem entender, e ele desenvolveu, dizendo que ao adquirir o passaporte de lá, os cidadãos macedônios gradualmente constariam nas estatísticas como búlgaros, o que legitimaria uma futura expansão de território da Bulgária. Não sei se a informação é verdadeira, mas achei interessante relatar como registro de como eles enxergam seus vizinhos.

Prossegui minha investigação, e o mesmo sentimento defensivo existe em relação ao expansionismo grego e albanês.

A Albânia está a apenas 30 kms dali, do outro lado do lago. Ao perguntar se algum deles já havia cruzado a fronteira, Vasko me contou que apenas uma vez, para nunca mais voltar. Quase foi linchado por um grupo de albaneses porque estava conversando com uma mulher de lá.

Quando viajam, os macedônios geralmente vão para a Sérvia, para onde eles olham com uma certa admiração. Sempre que mencionamos para macedônios eslavos que o próximo país que visitaríamos seria o Kosovo, nos perguntavam o motivo da ida com total espanto. Nos aconselhavam a não ir, cheios de advertências quanto à falta de segurança e avisos para nunca tentarmos falar de política. Por outro lado, jovens macedônias de origem albanesa costumam passar fins de semana em Pristina, capital kosovar, onde podem se soltar mais nas festas, longe do olhar conservador de suas famílias muçulmanas.

Interessante notar também que os macedônios, como outros países dos Balcãs, se referem à Europa na terceira pessoa, como se pertencessem a um outro continente.

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