Albanismo Macedônio

Quando pegamos um taxi em Debar para chegarmos em Rostuše, o motorista nos falou que 40% da população macedônia era de origem albanesa, ele incluído. Estávamos bem perto da fronteira entre os dois países. Depois, li que segundo o censo de 2002, os albaneses são 25% da população e 10% da força de trabalho. Foram estas informações desencontradas que me fizeram sentir pela primeira vez que a relação entre eslavos e albaneses não era tão simples.

A Macedônia decidiu pela independência da Iugoslávia em 1991, através de plebiscito. Acabou se separando sem guerras. A Sérvia estava com seus esforços concentrados nos territórios croatas e bósnios.

Em uma região tão cheia de conflitos, o país acabou tendo também o seu, mas interno e só em 2001.

A insurreição começou quando o grupo conhecido como Exército de Libertação Nacional Albanês (NLA) atacou o as forças de segurança macedônias. Os macedônios de etinia albanesa diziam que a luta era para conquistar os mesmos direitos dos eslavos: serem reconhecidos como iguais na constituição; terem o albanês incluído como idioma oficial; pediam a construção de uma universidade pública albanesa. Os macedônios diziam que o que eles queriam, na verdade, era transferir parte do território do país para a Albânia, influenciados e financiados pelos albaneses kosovares, para assim formarem a Grande Albânia.

O conflito durou um ano, mas não se espalhou por todo o país – ficou concentrado no noroeste. Ao final dele, foi assinado o Acordo de Ohrid, que garantia aos albaneses a ampliação de seus diretos, como a oficialização da língua, a criação de cotas políticas e a possibilidade de se hastear bandeiras albanesas. Mas tudo isso apenas nas regiões onde os albaneses eram ao menos 20% dos habitantes.

E foi por essa concentração dos privilégios alcançados que ainda hoje os albaneses-macedônios continuam insatisfeitos. Eles querem seus direitos garantidos em todo o país e sabem que têm força política para isso. Sem eles – 25% da população -, não é possível para nenhum partido governar. Apesar de ser já de praxe que a coalizão vencedora, sempre eslava, convide o bloco albanês a participar do governo, hoje eles lutam para que algum cargo de importância – chefe de estado, primeiro-ministro ou presidente do parlamento – seja reservado a eles. Seria a garantia de que o que vem acontecendo não se perpetue: o partido de direita, que está no poder há seis anos e foi reeleito, estaria negligenciando as demandas albanesas.

No dia a dia, não é difícil perceber que os dois maiores grupos étnicos do país não se misturam. Não é comum casamentos entre eslavos e macedônios, eles não compartilham os mesmos bairros e se tratam com um certo desdém. Mas existem exceções. Agora é moda em Skopia, por exemplo, jovens macedônios eslavos frequentarem os cafés do outro lado da ponte, na parte otomana da cidade que é hoje o bairro albanês.

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