Cume

Em um dos seis dias que passamos em Rostuše, fizemos uma caminhada de quase 12 horas subindo a montanha para colher blueberries, que seriam usados para fazer geléias e sucos para o inverno. Desde o começo do caminho víamos o topo aonde chegaríamos, a fronteira entre a Macedônia e a Albânia.

Lá em cima a vista é deslumbrante, a floresta do início vira um mato ralinho, e há uma fazenda de cabras e ovelhas durante o verão. Fomos em um dos últimos dias antes do frio, e quase todos os animais já estavam de volta em seus celeiros nas vilas no pé da montanha. O senhor que cuidava dos bichos ainda estava lá. Passando por cães pastores que nos tratavam como intrusos, nos sentamos em uma sala que era uma tenda de madeira um pouco separada da cocheira. Fomos recebidos com queijo de cabra fresco e rakjia, o destilado local, os dois feitos lá em cima. Enquanto comíamos e bebíamos – e ele não nos deixava parar – falava e ria alto, emendava histórias. Dizia da estupidez das pessoas em geral, da inteligência dos cachorros, da falta de proteção da fronteira, do descaso da polícia.

Saímos da visita levemente bêbados, rindo dos casos.

E então me contaram que uma vez, em uma brincadeira no meio de uma bebedeira, um companheiro de trabalho lhe deu um tiro na perna. Estavam no alto da montanha. O caminho até o hospital teria que ser feito a pé, eram cerca de 8 kms de ribanceira. Ele, para estancar o sangue, encheu o buraco da perna de feijões.

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