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Trajeto Parcial

Antes de prosseguir, uma pausa para uma visão panorâmica do caminho até então.

No total, passando 4 meses e meio na região. Este é o trajeto percorrido em quase dois meses. O percurso completo, cujo destino final foi Istambul, pode ser visto no link, no topo desta página. Uma hora o blog nos alcança! No momento estamos em Bagalore, na Índia, digerindo o que vivemos, enquanto a memória de tudo ainda pulsa.

Mas voltemos para a Macedônia…

Rumo à Macedônia

Antes mesmo de entrar na Albânia, havíamos conseguido hospedagem em uma casa em Saranda, no litoral sul do país, já bem perto da Grécia. Ouvimos maravilhas sobre a cidade, mas a viagem para lá demoraria umas 8 horas e depois teríamos que rumar novamente para o norte para conhecermos a Sérvia – peça indispensável na nossa exploração dos Bálcãs -, que além de ficar cada vez mais distante ainda tinha a questão do visto: a Sérvia é o único país balcânico para onde precisaríamos de um. Como no começo não sabíamos ainda que trajeto faríamos, tiramos nossos vistos ainda em Liubliana, capital da Eslovênia. Naquela altura da viagem, 1 mês e meio já havia se passado, e o visto, de duração de apenas 3 meses, já estava correndo, e dali a outro mês e meio devíamos deixar a Sérvia. E havia ainda a Macedônia e o Kosovo pelo caminho, antes de chegarmos lá.

Foi quando decidimos penosamente sacrificar o sul da Albânia e irmos direto para o lago de Orhid, do qual havíamos ouvido falar poucos dias antes. Pegamos uma mini-van até a fronteira. Lá, alguns táxis ficam à espera de viajantes, e mesmo cobrando acima da tabela, a viagem não ficou tão cara quanto temíamos que pudesse ficar pela falta de outras opções: em torno de 20 euros para os cerca de 30 kms de estrada + 10 minutos de alfândega. Chegamos em Orhid pensando em ficar por uns dois dias, mas nos pareceu um lugar perfeito para descansar e começar a postar o que havíamos escrito, desenhado e fotografado até então. Acabamos ficando por 2 semanas.

Para a capital

Conseguimos um sofá na casa de uma americana  em Tirana pelo (site de rede social de hospedagem) Couchsurfing. De Theth retornamos para Shkoder, passamos outra noite na cidade e, no dia seguinte, partimos para o sul. Acabamos percorrendo os 96 kms de táxi movido a gás, já que a corrida não ficou mais que o equivalente a R$ 30,00, e o calor do horário nos exigia agilidade. O cenário do caminho era bem seco, com vegetação rasteira e pouco movimento na estrada reta.

Tirana é a capital desde 1920. A anterior era a cidade portuária de Durres, a apenas 40 kms de lá. Chegamos no meio de uma tarde de sexta-feira, em busca do condomínio onde mora a Sarah.

Albânia

Os albaneses são descendentes dos Ilírios e a língua albanesa, a única remanescente do ramo lingüístico Ilírico. Eles baseiam seu sentimento nacionalista em torno desta unicidade etno-linguística. Compartilham seu ilirianismo com os kosovares, com parte da região sul de Montenegro e do oeste da Macedônia.

Historicamente, os Ilírios foram dominados pelo Império Helenístico, de Alexandre, o Grande, por volta de 325 a.C., e cerca de 150 anos mais tarde pelo Império Romano. Com a divisão do poder de Roma, a região acabou ficando para o lado oriental (Bizantino). Durante a Idade Média, parte do território também foi ocupado pelo Império Búlgaro. Quando o Império Otomano chegou nos Bálcãs, os albaneses resistiram o quanto puderam à ocupação, sob a liderança de Scanderbeg, herói nacional bastante celebrado ainda nos dias de hoje (cujo brasão ostentava a águia bicéfala que deu origem à atual bandeira do país). Mas após sua morte,  ficaram sob o domínio dos turcos até 1912.

Depois disso, teve um período de monarquia, entre 1914 e 25; um de república, de 25 a 28; e outra monarquia, de 28 a 39; interrompida pela invasão da Itália fascista, na II Guerra Mundial.

Com a derrota italiana na guerra, um ditador comunista ascendeu ao poder: Enver Hoxha. Inicialmente aliado dos Partisans Iugoslavos, acabou rompendo relações com Tito em 48, temendo suas intenções de incorporar a Albânia à Iugoslávia. No mesmo ano se alinhou à URSS. Rompeu em 60. E de 64 a 78, buscou a proteção da China! Depois desta última ruptura, o país foi se isolando cada vez mais do resto do mundo. A população viveu sob um regime severo onde a religião foi oficialmente banida, onde ninguém entrava e ninguém saía.

Hoxha morreu em 1985, e o regime acabou caindo junto com o muro de Berlim, em 90.

Em 91, a Albânia se tornou uma democracia capitalista, mas ainda mantém vários resquícios de tantos anos de isolamento.