Titolândia

Já mencionei algumas vezes Tito, mas volto ao tema pela constante presença do seu nome nos países da ex-Iugoslávia.

Ele nasceu onde é hoje território croata (na época, território austro-húngaro), de pai croata e mãe eslovena. Libertou parte dos Bálcãs da ocupação nazista e unificou povos, criando a República Federativa Popular da Iugoslávia, um país socialista, que governou de 1945 até sua morte em 1980, por causas naturais.

Se chamava Josip Broz. Dizem que criou o nome de guerra “Tito” como parte de sua estratégia unificadora, já que sua assinatura funcionava no alfabeto latino (usado na Eslovênia, Croácia e na Bósnia e Herzegovina), e no cirílico (usado na Sérvia, Macedônia e até recentemente em Montenegro, que o aboliu depois da independência da Sérvia), e seria então reconhecida em todos as seis repúblicas que compunham a  Iugoslávia.

Em 48, Tito rompeu com Stalin e adotou uma posição de neutralidade no contexto da Guerra Fria. Junto com Egito, China, África   do Sul e Índia, a Iugoslávia foi uma das principais representantes do Movimento dos Países Não Alinhados.

Nesta posição, ele se beneficiava da barganha dos dois lados do conflito, era um ótimo negociador.

Durante o seu governo havia um alto nível social, com empregos, recursos e as pessoas tinham liberdade de viajar para onde desejassem, dentro e fora do país.

E que país! A Iugoslávia tinha de tudo. As ilhas croatas, as montanhas montenegrinas, três religiões em harmonia, cidades cosmopolitas, TV aberta (um amigo romeno contou que durante a terrível ditadura de Ceausesco, onde só havia na TV a programação estatal, algumas famílias romenas improvisavam antenas gigantes para sintonizar a farta programação de desenhos e filmes da TV iugoslava). Ou melhor, tinham quase tudo. Os iugoslavos não tinham liberdade para criticarem o governo. Os opositores do regime eram mandados para um presídio na ilha croata de Goli Otok, onde eram tratados terrivelmente. Além de movimentos separatistas eram reprimidos de forma violenta. Mas o terror que os iugoslavos viveram nos anos 90 os fizeram relevar qualquer porém a respeito de Tito. O sentimento geral é de nostalgia.

Talvez seu maior defeito foi o de ter tido um governo tão personalista. Ele era a Iugoslávia. Depois de sua morte, um sistema de rodízio de poder entre as 6 repúblicas que formavam o bloco foi adotado, assim como acontece hoje na Bósnia e Herzegovina. Cada ano um presidente deveria assumir. Daí, os sentimentos nacionalistas adormecidos acabaram sendo despertados e manipulados em prol de interesses políticos por personagens como o presidente sérvio Slobodan Milosevich, e o croata Franjo Tudjman e o resultado foi a pior guerra na Europa desde a II Guerra Mundial e o desmemembramento total do antigo país.

Camiseta com a imagem de Tito em Rostuce, oeste da Macedônia.
Imagem recortada de Tito em Nis, sul da Sérvia.
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